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domingo, 25 de setembro de 2011

A Pílula da Felicidade

Ótimo texto publicado no blog de Noreda Somu Tossan (Clique para acessar o Blog)
 
 
 
"Uma das melhores coisas que a filosofia despertou em mim, foi a capacidade de questionar. Não só questionar para poder debater com amigos e outros blogueiros, mas sim, avaliar tudo aquilo que vejo e depois digerir este conteúdo e quando possível, escrever sobre ele com minhas próprias palavras. Uma dessas maravilhas é a capacidade de não mais assistir a um filme e não fazer uma avaliação crítica de seu conteúdo. Pois bem, assisti recentemente a um filme chamado “Sem limites”, onde um jovem escritor com bloqueio criativo se vê desesperado por não conseguir escrever seu livro.

Casualmente ele encontra um amigo que lhe oferece uma pílula misteriosa, e daí para frente tudo em sua vida muda. Sua capacidade cognitiva é elevada ao extremo e sua cabeça se torna um turbilhão. Me perguntei se esta pílula seria possível com os avanços na área da farmacologia e neurociência. Pesquisei aqui e ali e quero fazer um breve relato sobre os males e os benefícios dos avanços da tecnologia. Boa leitura.

Muito antes de Heidegger formular sua crítica romântica à tecnologia e nos falar de niilismo, o sociólogo alemão Max Weber já preconizava que a época moderna se caracterizaria pelo desencantamento do mundo. Desencantar-se é uma característica inevitável do processo de racionalização provocado pela ciência e pelo surgimento das sociedades industriais. A nova imagem do mundo que se consolidou ao longo século XX visou aniquilar com a religião e com tudo que poderia haver de mágico na nossa concepção de universo.

No século XXI assistimos a mais um passo nessa direção: o desencantamento do "eu". As novas ciências, em especial a neurociência, nos convidam a abandonar a imagem do ser humano como criatura dotada de uma alma imortal, que seria uma centelha do divino. Temos todos um cérebro igual, de onde se quer inferir que somos todos iguais. Mas isso pode soar tão absurdo como querer dizer que o cardápio de todos os restaurantes do mundo deveria ser igual porque o estômago humano é igual em todos os lugares e culturas.

O desencantamento do “eu” visa à dissolução da subjetividade. A ciência estaria tentando profanar um dos últimos bastiões da Religião e da Filosofia ao buscar uma explicação científica da natureza da consciência humana. Contra essa iniciativa, que parece tão drástica, mas, ao mesmo tempo reconhecida como inexorável, cada vez mais surgem grupos humanos que se agarram às crenças mais bizarras ou à fé fundamentalista. O fundamentalismo seja religioso ou político, tornou-se uma marca da vida contemporânea tanto quanto a ciência, embora se alastre predominantemente nas sociedades pré-tecnológicas do terceiro mundo.

Essa avalanche sobre o “eu”, protagonizada pela neurociência, manifesta-se, sobretudo, no uso crescente de drogas que produzem estados alterados de consciência. Sabemos que todas as sociedades humanas sempre tentaram, por meio da legislação, impor uma política da experiência ou uma espécie de ética da consciência, que visa banir as drogas proibidas, nem sempre com justificativas médicas ou científicas aceitáveis.

Mas agora não se trata mais apenas de banir as drogas ilegais. É preciso discutir as drogas lícitas que produzem estados alterados de consciência. As tentativas de suprimir as tristezas e a falta de atenção das crianças na escola levaram a uso quase que indiscriminado de antidepressivos e de substâncias como a ritalina. As conseqüências desse processo já se fazem sentir até na modificação da psicologia popular, na qual já não se fala: “Estou triste”, mas “Estou deprimido”.

Mas será que se pode exigir das pessoas que não se entristeçam ou não se angustiem? Em um futuro próximo é possível que o uso dessas drogas para melhorar o humor e o aprendizado passe a ser por parte dos empregadores (item da cesta básica) e pelos professores (farão parte da merenda escolar). E alguém poderia proclamar: por que não? O exército americano já obriga seus soldados a ingerirem algumas drogas que podem fazer que eles percorram grandes distâncias carregando equipamentos geralmente muito pesados sem, entretanto, sentir cansaço.

Não faz muito tempo, a neuro-farmacologia descobriu algumas substâncias que induzem a experiência religiosa. Ora, será que essas substâncias não deveriam ser consumidas por todos e o Estado declará-las obrigatórias? A religião é mais confortável que o ateísmo, disso já sabia o velho Kant. Então por que não disseminar a religiosidade? Afinal, indivíduos e sociedades religiosas serão, supostamente, mais pacatos e administráveis... Será esta a “pílula de Deus”, já que existem pílulas para tantas outras coisas.

A questão de fundo, contudo, continua a mesma. O que torna alguns estados alterados de consciência mais desejáveis que os outros? A neuro-farmacologia trouxe, a reboque, um amplo leque de dilemas éticos e força novas pautas de discussão filosófica. Afinal, o que define um bom estado de consciência e quais, dentre todos os que podemos ter, devem ser declarados ilegais ou inaceitáveis? Essa é a pergunta principal que deve nortear uma ética da consciência, já que vivemos (e viveremos) predominantemente em estados alterados de consciência, produzidos pela ingestão, cada vez mais freqüente, de drogas legais ou ilegais. Afinal, desde a invenção do Prozac, ingressamos definitivamente no admirável mundo novo de que nos falava Aldous Huxley.

Não estamos preparados para a demolição do “eu”. Se há uma década temíamos que máquinas se tornassem conscientes, hoje, temos de temer que humanos percam a consciência. Não há nada mais abundante no planeta do que seres humanos, e eles podem se tornar úteis para os propósitos de uns poucos por maio da supressão da consciência. A supressão da consciência tem se revelado um investimento menor, do ponto de vista econômico, do que a construção de robôs conscientes. Essa é a nova forma que a angústia passou a ter a partir do século XXI.

A ética da consciência precisará nos ajudar a escolher entre os possíveis estados alterados de consciência no intervalo entre a “angústia mórbida”, que não nos permite sequer levantar da cama, e o “alienado feliz”, aquele que Sartre chamava de “salaud”, ou o idiota imune à própria angústia. Não será uma escolha nada fácil."

Noreda Somu Tossan

Fonte: Filme "Sem limites"
Fonte: Revista Filosofia nº 60

Apresentação - SUS

Link para arquivo em PDF com uma apresentação resumida sobre criação, egulamentação e princípios do SUS.

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Amigos, listei alguns links com notícias sobre as meninas que fizeram arrastões em São Paulo.




sábado, 27 de agosto de 2011

Homenagem ao Dia do Psicólogo



“Uma gota a mais e o copo transborda. A metáfora sobre algo que não conseguimos conter desenha a imagem do que acontece nos momentos em que não damos conta de resolver sozinhos um problema que incomoda bem lá dentro da gente. Ao atingirmos essa situação-limite, a água escorre – e nos vemos no impasse de matar, morrer ou de nos fingirmos de morto. Matar é buscar soluções. Morrer é se deixar aniquilar por ela. Fingir de morto é olhar para o lado, agindo como se a coisa não fosse com você. Eis aí três possibilidades do que cada um de nós, como indivíduos ( na mais pura acepção da palavra, “aquilo que não se divide”), podemos fazer com nossas vidas quando algo não vai bem em nosso íntimo. Tudo é questão de escolha, e essa opção determina como viveremos e quem seremos para nós e para os outros”. Trecho extraído da Revista Vida Simples de julho de 2007 e escrito por Roberta de Lucca

Esta metáfora expressa uma situação que passou por cima do nosso limite de dor ou que traz para nós um questionamento tão intenso a respeito de nós mesmos que entramos numa dolorosa crise e precisamos de ajuda. Podemos fingir que não é conosco, entregarmo-nos a essa dor e tornarmo-nos pessoas rancorosas e entristecidas, buscando até mesmo a morte, porém existe outra opção: buscar ajuda profissional.

Buscar ajuda não por fraqueza, mas porque os caminhos que teremos de seguir são escuros e serão melhores iluminados e aproveitados se tivermos um guia que nos auxilie na travessia.

Alguém que estudou sobre a mente humana e seus meandros. Este alguém é um psicólogo ou psicoterapeuta, profissional que trabalha com técnicas que possibilitam o auto-conhecimento. Iniciar uma psicoterapia - de orientação psicodinâmica, por exemplo - é como uma viagem ao nosso inconsciente por meio das escuras e profundas contradições humanas e desta forma conhecermos a nós mesmos, tornando-nos o que somos, conhecendo o que queremos e sabendo o que podemos ser.

Apesar do árduo trabalho e disponibilidade este profissional é muitas vezes vítima de estereótipos, ora sendo considerado um misterioso guru com poderes mágicos, capaz de desvendar todos os desejos mais íntimos só de olhar para as pessoas, ora visto como louco ou até mesmo desconsiderado por alguns cientistas - como se o sofrimento emocional não fosse autêntico, somente o que é sofrimento físico ou provado cientificamente pelas ciências naturais fosse verdadeiro.

O psicólogo é alguém que estuda a subjetividade, os sentimentos mais contraditórios e se disponibiliza a caminhar com o outro pelo único, difícil e obscuro caminho dele, sem julgá-lo ou criticá-lo, mas sendo seu verdadeiro parceiro de viagem em quem se pode confiar e dizer sem censuras o que sente e pensa.

Sua atuação é validada pela Psicologia, que é uma ciência com normas e técnicas estudadas e validadas pelas ciências humanas e fiscalizadas pelo Conselho Federal de Psicologia.

Em homenagem a esta tão valorosa profissão o site Ser Melhor parabeniza todos os psicólogos e psicoterapeutas por este dia tão especial e pelo trabalho realizado com entusiasmo, seriedade e dedicação.

Escrito por: Equipe Ser Melhor (http://www.sermelhor.com/)